O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou temperatura no Senado. O senador Laércio Oliveira colocou o caso no centro do debate nacional, classificou a situação como “caso de polícia” e defendeu uma apuração dura, sem blindagens e com atuação livre dos órgãos de controle.
Vice-presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e signatário da CPI sobre o tema, Laércio afirma que o episódio não pode ser tratado como mais uma polêmica passageira. Para ele, o que está em jogo é a credibilidade das instituições e a resposta que a sociedade espera diante de suspeitas no sistema financeiro.
“O assunto precisa ser investigado. É uma obrigação com o Brasil. Estamos diante de algo grave, que tomou dimensão nacional e exige esclarecimento”, declarou.
Recado direto: quem errou precisa pagar
O senador foi além ao dizer que não cabe ao Congresso conduzir investigação criminal, mas cobrar que as autoridades façam seu papel. Na avaliação dele, Ministério Público, Polícia Federal e Supremo Tribunal Federal precisam ter total autonomia para agir.
“É caso de polícia. Quem cometeu malfeitos tem que pagar. Os órgãos de fiscalização precisam ter liberdade para investigar e punir”, afirmou, em tom firme.
A fala ecoou em Brasília porque sinaliza que parte do Senado quer distância de qualquer leitura de proteção política. Laércio sustenta que o país possui instituições sólidas e que elas devem funcionar sem interferência.
Centrão na vitrine
Questionado sobre o papel do Centrão, grupo do qual faz parte, o senador disse que seria “absurdo” se o bloco tentasse dificultar a instalação de comissão de investigação. Segundo ele, a sociedade cobra respostas e o meio político não pode se omitir.
A declaração coloca o Centrão sob holofotes justamente num momento em que movimentos de bastidor são observados com lupa.
Caso pode marcar o sistema financeiro
Laércio avalia que o desfecho do caso Banco Master tem potencial para se tornar um dos episódios mais marcantes do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos. Por isso, defende acompanhamento constante do Congresso.
A entrevista foi concedida aos jornalistas Felipe Bueno, Joana Treptow, Rodrigo Alvarez e Dani Lima.
Nos corredores de Brasília, a leitura é clara: quando senador chama de “caso de polícia”, o recado não é só jurídico — é político. E o assunto promete render capítulos que podem respingar muito além do banco investigado.