A gravidez na adolescência continua mudando o destino de milhares de jovens em Sergipe. Só entre janeiro e agosto de 2025, o estado registrou 2.333 nascimentos de bebês filhos de mães entre 15 e 19 anos, segundo dados oficiais do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde.
Os números colocam em evidência um desafio que vai além da saúde e atinge educação, renda e futuro de famílias inteiras.
No mesmo período de 2024, Sergipe já havia registrado 2.446 nascimentos nessa faixa etária — mostrando que o problema segue em patamar elevado.
Brasil soma mais de 168 mil partos de mães adolescentes
O cenário é nacional. Entre janeiro e agosto de 2025, o Brasil contabilizou 168.713 nascimentos de mães adolescentes. No ano anterior, foram 179.428 no mesmo intervalo, fechando 2024 com 261.206 registros.
Os dados foram compilados pela Organização Nacional de Acreditação (ONA) a partir do banco do Ministério da Saúde.
Gravidez precoce traz riscos reais
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a gestação na adolescência aumenta o risco de complicações para mãe e bebê.
A pediatra e integrante da ONA, dra. Mariana Grigoletto, alerta que adolescentes têm maior risco de:
mortalidade materna
parto prematuro
diabetes gestacional
depressão pós-parto
complicações no parto
asfixia e paralisia cerebral no bebê
Além dos impactos médicos, a gravidez precoce costuma interromper estudos e reduzir oportunidades profissionais, aprofundando vulnerabilidades sociais.
Efeitos vão além da saúde
Especialistas apontam que a maternidade precoce muitas vezes vem acompanhada de:
evasão escolar
falta de apoio familiar
ausência de corresponsabilização do pai
violência intrafamiliar
uso de álcool e drogas
fragilidade emocional
O impacto psicológico também pesa. Insegurança, medo e ansiedade são frequentes entre jovens mães, o que reforça a necessidade de acompanhamento.
SUS garante apoio psicológico
A legislação brasileira assegura assistência psicológica a gestantes e puérperas pelo SUS.
Segundo a pediatra, o suporte emocional desde o pré-natal é essencial para reduzir riscos à saúde mental das jovens.
Informação e sigilo são direitos
Adolescentes têm direito a atendimento médico sigiloso para tratar de saúde sexual. O sigilo profissional é considerado peça-chave para que jovens se sintam seguros para tirar dúvidas.
Prevenção ainda é o maior desafio
Apesar de campanhas educativas, a prevenção ainda enfrenta barreiras culturais e de informação.
A orientação médica destaca a dupla proteção como estratégia mais segura:
preservativo (masculino ou feminino)
método contraceptivo de longa duração (DIU ou implante)
Esses métodos têm alta eficácia e não exigem uso diário, podendo durar anos.
Alerta que acende sinal vermelho
A persistência de números elevados mostra que o debate sobre gravidez na adolescência ainda está longe de terminar.
Para especialistas, sem educação sexual efetiva, acesso a métodos contraceptivos e diálogo aberto com jovens, o ciclo tende a se repetir.