O avanço dos casos de feminicídio no Brasil colocou o tema no centro das atenções em Brasília e motivou a mobilização dos Três Poderes. Nesta quarta-feira (4), no Palácio do Planalto, foi lançado o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, e a deputada federal Delegada Katarina acompanhou a cerimônia defendendo resposta dura e compromisso permanente na proteção às mulheres.
O pacto nasce em meio a números que preocupam autoridades. O país registra, em média, quatro feminicídios por dia. Só em 2025, foram 1.470 casos contabilizados, além de mais de 15 mil julgamentos relacionados ao crime, segundo dados do sistema de Justiça. O cenário é tratado como crise estrutural de violência de gênero.
A iniciativa reúne Governo Federal, Congresso e Judiciário numa atuação coordenada para tentar frear mortes de mulheres e meninas. Entre as metas estão acelerar medidas protetivas, fortalecer redes de proteção, ampliar ações educativas e garantir punição efetiva a agressores.
Durante o lançamento, com presença de chefes dos Poderes e autoridades nacionais, o discurso dominante foi de que ações isoladas já não dão conta da gravidade do problema.
Delegada de carreira, Katarina destacou que vivenciou de perto a realidade da violência doméstica antes de chegar ao Parlamento. Segundo ela, a experiência na polícia moldou sua atuação legislativa.
“No Legislativo, a minha luta é diária. Como delegada, conheço de perto essa realidade cruel. Por isso, relatei propostas que viraram lei e fazem a diferença”, afirmou.
A parlamentar cita entre suas bandeiras o endurecimento de penas em crimes contra mulheres, mudanças em leis de proteção às vítimas e projetos voltados à reeducação de agressores para evitar reincidência.
Na prática, o pacto promete decisões judiciais mais rápidas, integração entre polícia, Justiça e assistência social, além de atenção especial a mulheres em situação de maior vulnerabilidade, como negras, indígenas, quilombolas, periféricas, idosas, jovens e mulheres com deficiência.
O plano também inclui enfrentamento à violência digital, como perseguições e ameaças online, que muitas vezes antecedem agressões físicas.
Outra frente é a mobilização social. A campanha “Todos juntos por todas” busca envolver a sociedade e convoca principalmente os homens a participarem do combate à violência de gênero. A estratégia prevê ainda ações simbólicas e uma plataforma digital com canais de denúncia e orientações.
Para Katarina, o pacto é avanço, mas não pode ficar só no papel. “Nenhuma política se sustenta sozinha. Só vamos avançar quando governo e sociedade caminharem juntos, levando proteção e dignidade até a ponta”, declarou.
O desafio agora é transformar promessa em resultado concreto num país onde os números seguem em alta e a cobrança por respostas cresce.