Uma parceria inédita em Sergipe está impulsionando pesquisas para fortalecer o cultivo independente de cannabis medicinal, com foco em ciência, autonomia produtiva e redução de custos para pacientes e associações. O primeiro trabalho conjunto entre a Associação Brasileira de Apoio ao Cultivo e Pesquisa da Cannabis Medicinal (Salvar-SE) e o Instituto Federal de Sergipe (IFS) foi apresentado nesta segunda-feira (2) e marca um avanço estratégico na área.
A pesquisa envolveu cerca de mil plantas cultivadas ao longo de 75 dias, utilizando compostos orgânicos desenvolvidos a partir de insumos locais, em um estudo voltado para melhorar a nutrição das plantas e a qualidade dos fitocannabinoides. O experimento foi conduzido pelo tecnólogo Jônatas Ferreira dos Reis e apresentado a estudantes do curso de agroecologia do IFS.
Segundo os pesquisadores, o uso do composto conhecido como Margaridão, combinado com esterco ovino, apresentou excelente desempenho na oferta de nutrientes essenciais como Nitrogênio, Cálcio e Magnésio. O resultado foi um vigor vegetativo elevado, sem sinais de estresse nutricional, comprovando que o manejo agroecológico pode substituir fertilizantes sintéticos na fase de crescimento da planta.
De acordo com os responsáveis pelo estudo, a adoção de insumos orgânicos melhora a absorção de minerais pelas plantas, aumenta a concentração de compostos medicinais e reduz riscos de contaminação química ou biológica, garantindo mais segurança para pacientes que utilizam cannabis medicinal.
A próxima etapa do projeto prevê a implantação de uma área específica para produção de biomassa e fabricação dos compostos, com o objetivo de alcançar autonomia no fornecimento de insumos. A parceria também planeja ampliar a catalogação de dados sobre o cultivo adaptado às condições regionais, contribuindo para pesquisas futuras e para a formação de cooperativas, agricultores familiares e pacientes autorizados ao cultivo.
Com mais de 15 anos de experiência na área, Jônatas Ferreira destacou que o estudo foi baseado na realidade local, buscando autossuficiência, controle de qualidade e redução de custos a longo prazo. Além de baratear o cultivo, o projeto também promete impactos ambientais positivos, como melhoria da saúde do solo e recuperação de áreas degradadas.
A iniciativa posiciona Sergipe como um dos estados em destaque na pesquisa científica sobre cannabis medicinal, abrindo caminho para novos avanços técnicos, fortalecimento da produção local e ampliação do acesso a tratamentos mais seguros e sustentáveis.