A Universidade Tiradentes (Unit), de Sergipe, foi a única instituição do Nordeste selecionada para participar da Operação Amazonas, edição mais recente do Projeto Rondon, coordenado pelo Ministério da Defesa. A missão levou mais de 270 estudantes e professores de todo o país a 12 municípios ribeirinhos entre os dias 8 e 25 de julho, beneficiando diretamente mais de 48 mil pessoas.
A Unit ficou em 6º lugar entre as 24 universidades selecionadas nacionalmente. A equipe atuou com foco em saúde, educação, cidadania, meio ambiente e cultura, promovendo oficinas, atendimentos, escuta qualificada e ações formativas nas comunidades.
Experiência que transforma
A professora Isabelle Brito, do curso de Gastronomia, destacou os desafios logísticos e emocionais enfrentados, mas também a receptividade calorosa dos moradores. “Fomos recebidos como celebridades. Houve relatos de pessoas dizendo que só recebem visitas em época de eleição. Levamos acolhimento, escuta e conhecimento, mas saímos de lá com ainda mais aprendizados”, afirmou.
O professor Nivaldo Moscoso, do curso de Direito, ressaltou o impacto da atuação em locais onde a presença do Estado é mínima. “Nossos alunos ensinaram noções de cidadania em regiões onde a Constituição é apenas um papel. Ver isso na prática é a essência da extensão universitária”, disse. Ele também relatou um momento simbólico com um líder comunitário que pediu à comunidade para enxergar os conflitos com os “olhos de girafa” — com empatia e visão ampla.
Relatos de quem viveu
A aluna de Medicina Maria Fernanda de Souza Silva vivenciou o impacto do cuidado humanizado durante atendimentos de saúde. “Uma senhora me abraçou e disse: ‘Você me trouxe paz’. Entendi ali que acolhimento vale tanto quanto qualquer procedimento médico”, compartilhou.
A estudante de Direito Lívia Maria Rocha Santos liderou atividades sobre direitos, violência doméstica e meio ambiente. “O vínculo emocional foi tão forte que uma criança disse que queria me ter como mãe. Essa experiência marcou o início da minha trajetória profissional”, revelou.
Desafios reais e impacto social
O aluno de Fisioterapia Paulo Vitor de Andrade Araújo enfrentou realidades duras, como visitar casas sem paredes ou estrutura básica. “Encaminhamos uma criança com sérios problemas de saúde. Estar ali me fez rever tudo que sabia. Foi transformador”, afirmou. Ele também destacou problemas locais como violência sexual infantil e tráfico de órgãos.
Legado e continuidade
A equipe elaborou um relatório diagnóstico com propostas práticas em áreas como saúde, educação e cidadania, entregue às autoridades locais. A experiência já gerou frutos, como um intercâmbio com Cajueiro da Praia (PI), voltado ao turismo comunitário.
A Unit criou oficialmente o Núcleo Rondon, que garantirá a continuidade das ações e formação de novas equipes. “Capacitamos secretarias municipais e deixamos ferramentas para que o trabalho continue. Essa missão mostrou que o saber acadêmico precisa ultrapassar os muros da universidade”, finalizou Isabelle.