Sergipe corre sério risco de ser o terceiro estado mais prejudicado do país com o chamado tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e estabelece uma alíquota de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para o mercado americano.
Segundo dados oficiais do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), 31,1% das exportações sergipanas foram destinadas aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2025. Isso representa um volume de US$ 54,5 milhões — com destaque para o petróleo bruto, suco de laranja congelado e óleos essenciais.
Um estudo técnico da Desenvolve-SE alerta que a nova tarifa pode impactar até 0,89% do Produto Interno Bruto (PIB) de Sergipe, dada a forte dependência do estado em relação ao comércio com os EUA, consolidada desde 2024.
Atualmente, o petróleo e o suco de laranja congelado representam mais de 85% de todas as exportações sergipanas para os EUA. Com o novo imposto, o suco, por exemplo, passaria de US$ 5,48 para mais de US$ 9 o quilo, perdendo competitividade frente a concorrentes como México e Canadá.
A estimativa é que a receita anual com esses produtos despenque de US$ 39,7 milhões para apenas US$ 11,9 milhões, caso a medida seja mantida. Mesmo em um cenário otimista de redirecionamento de parte da produção para outros países, a perda para a economia estadual ainda pode superar 0,27% do PIB.
A Desenvolve-SE destaca que Sergipe precisa diversificar urgentemente sua pauta exportadora. Entre as sugestões estão o fortalecimento das cadeias petroquímica e de cítricos, com incentivo à industrialização, e a atração de indústrias de cosméticos, aproveitando o potencial dos óleos essenciais já produzidos no estado.
Com uma economia estimada em R$ 62,5 bilhões em 2025, e crescimento de 2,1%, Sergipe terá que se movimentar rapidamente para evitar perdas que podem chegar a mais de US$ 2 milhões por mês em receitas de exportação.
Participação dos EUA nas exportações por estado – 2025
1. Ceará – 52,2%
2. Espírito Santo – 33,9%
3. Sergipe – 31,4%
4. São Paulo – 19,5%
5. Rio Grande do Norte – 15,3%
6. Rio de Janeiro – 15%
7. Santa Catarina – 14,5%
8. Maranhão – 13,3%
9. Paraíba – 12,4%
10. Minas Gerais – 11,6%
A expectativa é que o governo federal consiga estabelecer algum canal de diálogo com os EUA, mas até agora, nenhuma sinalização positiva veio da Casa Branca.