O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que aceitará o resultado das eleições de 2026, mesmo em caso de derrota para seu possível principal adversário, Flávio Bolsonaro. A declaração foi dada em entrevista à revista alemã Der Spiegel.
A fala ocorre em meio à divulgação de pesquisas recentes que indicam, pela primeira vez, o senador à frente de Lula em um cenário simulado de segundo turno, segundo agregadores baseados em levantamentos como Datafolha e Genial/Quaest.
“Quando o povo toma uma decisão, seja de direita, de esquerda ou do centro, temos que aceitar esse resultado”, afirmou o presidente, destacando sua própria trajetória política. “Eu nunca teria imaginado que um metalúrgico fosse eleito três vezes presidente. Mas aqui estou eu.”
Durante a entrevista, Lula também afirmou não acreditar em riscos de ruptura democrática no país e demonstrou confiança no processo eleitoral.
“O Brasil continuará sendo um país democrático no futuro. Vamos vencer esta eleição e garantir que nossa democracia se torne ainda mais estável”, declarou.
Apesar do cenário eleitoral, o presidente evitou confirmar oficialmente sua candidatura à reeleição, afirmando que a decisão ainda depende de discussões internas do partido. Ainda assim, indicou que está se preparando para disputar o pleito.
“Haverá uma convenção partidária que discutirá os nomes. Minha cabeça e meu corpo estão 100% em forma”, disse.
No campo internacional, Lula fez críticas ao cenário global e ao papel de grandes potências, citando diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ameaçar outros países com guerra o tempo todo”, afirmou.
O presidente também defendeu maior protagonismo de países emergentes em organismos internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU, e criticou os gastos globais com armamentos, que, segundo ele, poderiam ser direcionados ao combate à fome e à desigualdade.
Ao comentar relações diplomáticas, Lula afirmou manter diálogo com líderes como Xi Jinping, Vladimir Putin e Emmanuel Macron, defendendo maior cooperação internacional em meio a crises globais.
A entrevista reforça o tom adotado pelo presidente ao longo do atual mandato: defesa da democracia, articulação internacional e preparação para o cenário eleitoral que se desenha para 2026.