O senador Alessandro Vieira subiu o tom no plenário do Senado Federal do Brasil ao confrontar o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, após a decisão de encerrar os trabalhos da CPI do Crime Organizado.
A comissão, que tem Vieira como relator e prazo final marcado para 14 de abril, investigava possíveis ligações entre autoridades públicas e organizações criminosas.
Mesmo com um pedido de prorrogação por mais 60 dias — apoiado por 28 senadores —, Alcolumbre negou a continuidade dos trabalhos. A decisão provocou reação imediata.
“É meu dever registrar publicamente que entendo a decisão de Vossa Excelência como um desserviço para o Brasil”, disparou Vieira.
Avanços e tensão política
Segundo o senador sergipano, a CPI já havia reunido informações relevantes, incluindo investigações sobre a atuação de facções no Rio de Janeiro e desdobramentos do chamado caso Banco Master.
Ele também destacou que os dados coletados apontam indícios envolvendo autoridades dos Três Poderes, o que, segundo ele, aumenta ainda mais a importância da continuidade das apurações.
“Este Senado, em mais de 200 anos, nunca apreciou a conduta de ministros da Suprema Corte. A toga não exime ninguém de responsabilidades”, afirmou.
Próximos passos
Apesar do encerramento da comissão, Vieira afirmou que não pretende recuar. O parlamentar anunciou que vai recorrer à Justiça para tentar instalar uma nova CPI, desta vez focada exclusivamente no caso Banco Master — proposta que já conta com as 53 assinaturas necessárias.
“Desistir não está no cardápio. Vamos seguir usando todos os instrumentos legais disponíveis”, declarou.
O episódio aumenta a tensão política no Senado e levanta questionamentos sobre os limites e interesses por trás das investigações no país.