A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou, nesta quinta-feira (26), a quebra dos sigilos bancário e fiscal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao todo, 87 requerimentos foram votados em bloco durante a 32ª reunião do colegiado.
A comissão apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados que teria lesado milhões de aposentados e pensionistas. A investigação ganhou novo fôlego após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) a deflagrarem, em dezembro de 2025, mais uma fase da Operação Sem Desconto.
Segundo os parlamentares, mensagens extraídas pela PF do celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado como operador do esquema, mencionam o repasse de ao menos R$ 300 mil para “o filho do rapaz”, referência que os investigadores associam a Lulinha.
O pedido de quebra de sigilo foi apresentado pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que afirmou ser necessário acesso a relatórios de inteligência financeira para aprofundar as apurações.
Defesa nega envolvimento
Em nota divulgada na quarta-feira (25), a defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que ele não tem qualquer relação com as fraudes investigadas, não participou de desvios e não recebeu valores de origem criminosa.
O advogado Guilherme Suguimori Santos informou que solicitou ao STF acesso aos autos do processo para que possa se manifestar com base em provas. Segundo ele, até o momento a defesa não teve acesso integral às informações da investigação.
Outras convocações
Além da quebra de sigilo de Lulinha, a CPMI aprovou a convocação do ex-deputado federal André Luís Dantas Ferreira, conhecido como André Moura, apontado por parlamentares como possível articulador do esquema em Sergipe.
Também foram aprovadas convocações de empresários e ex-executivos ligados a instituições financeiras investigadas, como o Banco Master. Entre os nomes está Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição.
Os requerimentos foram votados sem discussão individual, o que gerou tumulto no plenário após a proclamação do resultado, com troca de empurrões entre parlamentares e interrupção momentânea da sessão.
Próximos passos
A CPMI deve ouvir novos depoimentos nos próximos dias, incluindo o do empresário Paulo Camisotti, investigado por suposta participação nas fraudes. Outros convocados não compareceram à reunião desta quinta-feira, alegando motivos de saúde ou compromissos profissionais.
Instalada para investigar irregularidades nos descontos aplicados a benefícios previdenciários, a comissão é composta por 32 titulares — entre deputados e senadores — e igual número de suplentes. As apurações podem resultar em indiciamentos e encaminhamentos ao Ministério Público ao final dos trabalhos.