A cúpula do Congresso Nacional sinalizou que pode colocar em votação já no início de março o veto presidencial ao projeto que reduz penas de condenados por atos golpistas, medida que pode diminuir o tempo de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores, porém, a liberação da pauta estaria condicionada a um freio na pressão pela instalação de uma CPI que mira o Banco Master.
O projeto, conhecido como PL da Dosimetria e vetado por Luiz Inácio Lula da Silva, pode reduzir a pena de regime fechado estimada entre 6 e 8 anos para algo entre 2 anos e 4 meses e 4 anos e 2 meses, dependendo da interpretação jurídica.
Para que o veto seja analisado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, precisa convocar sessão conjunta com deputados e senadores. O problema é que, nesse mesmo ato, ele teria de ler requerimentos de CPIs — entre eles o que pede investigação sobre o banco — algo que aliados dizem que ele tenta evitar. O presidente da Câmara, Hugo Motta, também resiste à instalação da comissão.
Líderes do centrão e do Congresso ainda atuam para blindar o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, que se afastou da relatoria de um processo ligado ao caso. Parte dos parlamentares critica o que chamam de tentativa de criar uma nova “Lava Jato” com vazamentos seletivos contra políticos e magistrados.
A tensão aumentou após operação da Polícia Federal que investigou investimentos feitos pela Amprev no banco e que podem gerar prejuízo ao fundo previdenciário estadual. Um dos alvos foi um aliado político de Alcolumbre, o que ampliou a pressão por esclarecimentos.
Nos bastidores, parlamentares negociam um acordo: votar o veto do projeto de penas em troca de esfriar a cobrança pela CPI. Se houver entendimento, a sessão pode ocorrer na primeira semana de março; caso contrário, pode ser adiada novamente.
A oposição, especialmente aliados de Bolsonaro, cobra pressa. O líder governista Randolfe Rodrigues já avisou que, se o veto cair, há chance de judicialização no Supremo por suposta inconstitucionalidade.
O requerimento para a CPI é liderado pelo deputado Carlos Jordy e reúne apoio de 42 senadores e 238 deputados. Já o senador Wellington Fagundes acusa o Senado de paralisia e afirma que a estratégia do governo é ganhar tempo. O senador Eduardo Girão também criticou o que chamou de cancelamentos sucessivos de sessões enquanto acordos políticos avançam.
Para derrubar o veto presidencial são necessários 257 votos de deputados e 41 de senadores. O projeto foi aprovado originalmente com 291 votos na Câmara e 48 no Senado, números que mostram força política suficiente para uma possível reversão.
Enquanto isso, mais de 70 vetos presidenciais aguardam análise, ampliando a pressão sobre a pauta do Congresso e transformando a disputa em um dos embates políticos mais tensos do início de 2026.