A convocação de uma manifestação prevista para 1º de março trouxe à tona divergências dentro do bolsonarismo. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) anunciou o ato com o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”, defendendo o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma ala do grupo, porém, considera que a prioridade deveria ser outra. Para esses aliados, o foco central da mobilização deve estar na anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e na defesa da liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Divergência sobre foco do protesto
Nos bastidores, integrantes do campo conservador avaliam que insistir no impeachment do ministro Dias Toffoli neste momento pode desviar a atenção da pauta considerada mais urgente pelo grupo.
Após o anúncio feito por Nikolas, parlamentares próximos à família Bolsonaro passaram a divulgar o protesto enfatizando a anistia e a liberdade irrestrita, inclusive para o ex-presidente. Entre os nomes que adotaram essa linha estão Mário Frias (PL), Gil Diniz (PL), Lucas Bove (PL) e o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL).
O senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como possível candidato à Presidência, teria sido orientado a evitar a defesa pública do impeachment de Toffoli neste momento.
Impacto no cenário eleitoral
Aliados argumentam que um eventual afastamento de ministro do STF às vésperas do calendário eleitoral poderia permitir novas indicações à Corte pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que alteraria a atual composição do tribunal.
Nikolas respondeu às críticas nas redes sociais e afirmou que não há contradição em defender simultaneamente o impeachment de ministros e a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
A troca de declarações expôs diferenças estratégicas dentro do bolsonarismo em relação às prioridades políticas e ao posicionamento para o próximo ciclo eleitoral.
O ato está previsto para ocorrer na Avenida Paulista, em São Paulo.