O regime chinês intensificou a repressão contra igrejas cristãs protestantes ao mobilizar centenas de policiais armados e máquinas pesadas para cercar um templo na cidade de Wenzhou, no leste da China. A ação elevou o temor de demolição da igreja e reacendeu alertas internacionais sobre violações à liberdade religiosa no país.
A operação teve como alvo a Igreja Cristã de Yayang, também conhecida como Assembleia de Yayang. Segundo informações da organização internacional ChinaAid, forças ligadas ao Partido Comunista Chinês isolaram completamente a área ao redor do templo na segunda-feira (5), impedindo a circulação de moradores e fiéis.
Durante a ação, residentes cristãos que vivem nas proximidades foram retirados à força de suas casas. Pessoas que estavam no local receberam ordens para não fotografar nem registrar vídeos. Tratores, guindastes e outros equipamentos de engenharia pesada foram posicionados ao redor da igreja, levantando a suspeita de que a estrutura possa ser parcialmente ou totalmente demolida.
Apesar de não haver anúncio oficial do governo chinês sobre o objetivo da operação, organizações de direitos humanos alertam que a iniciativa faz parte de uma escalada de repressão contra igrejas consideradas independentes ou “clandestinas” pelo regime.
Imagens divulgadas por entidades internacionais e repercutidas pela imprensa estrangeira já indicam que parte da estrutura da igreja começou a ser destruída, aumentando a tensão entre fiéis e autoridades.
Prisões e perseguição em outras regiões
A ofensiva em Wenzhou ocorre paralelamente a prisões de líderes cristãos em outras regiões do país. Na cidade de Chengdu, no centro da China, ao menos nove líderes da Igreja protestante Early Rain Covenant foram detidos após operações policiais em residências e escritórios ligados à congregação. Parte deles segue sob custódia.
A organização Human Rights Watch afirma que a repressão se intensificou nos últimos meses. Segundo a entidade, cerca de 100 membros da Igreja de Yayang foram presos desde dezembro, e dezenas continuam detidos.
Especialistas apontam que as ações estão alinhadas à política de “sinização da religião”, promovida pelo presidente Xi Jinping, que exige que práticas religiosas estejam subordinadas à ideologia e ao controle do Partido Comunista.
Organizações internacionais alertam que a destruição de igrejas e a prisão de fiéis violam tratados internacionais de direitos humanos, especialmente os que garantem a liberdade religiosa e de crença.
O caso reforça as preocupações globais sobre o avanço do controle estatal na China e o impacto direto sobre comunidades religiosas, que vivem sob constante vigilância, intimidação e risco de punição.