A implementação do programa Gás do Povo tem provocado aumento na demanda por botijões de gás nas revendas participantes. Além de beneficiar famílias de baixa renda, a iniciativa também impacta diretamente o comércio local.
No Distrito Federal, o vendedor Amarilto Santos relata mudança no movimento após a adesão ao programa. Segundo ele, houve crescimento na procura pelo produto desde que o estabelecimento passou a integrar a ação do governo.
A participação das revendedoras é opcional. Para aderir, é necessário ter autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), estar regular junto à Receita Federal do Brasil, possuir conta corrente de pessoa jurídica na Caixa Econômica Federal e utilizar a maquininha “Azulzinha” como meio de pagamento nas operações do programa.
Público atendido
O benefício é destinado a famílias com pelo menos duas pessoas, inscritas no Programa Bolsa Família, com renda per capita de até meio salário mínimo e cadastro atualizado no Cadastro Único nos últimos dois anos.
Moradora de Vicente Pires, Abigail Gomes conseguiu recarregar o botijão gratuitamente pela primeira vez. Ela afirma que a gratuidade representa alívio no orçamento doméstico, já que anteriormente era preciso complementar o valor recebido pelo antigo Auxílio Gás.
Atualmente, cerca de 6,4 milhões de domicílios em todo o país passaram a ter acesso à recarga gratuita. Desde novembro de 2025, início da implementação, o Governo do Brasil já destinou mais de R$ 642 milhões à iniciativa.
Como funciona o acesso
O benefício pode ser acessado pelo aplicativo “Meu Social – Gás do Povo”, onde é possível consultar o vale e localizar revendas credenciadas. Não é necessário comparecer ao CRAS ou a postos do Cadastro Único.
A recarga pode ser feita diretamente na revenda ou com entrega em domicílio, mediante pagamento da taxa correspondente. Para quem não possui celular ou acesso à internet, é possível utilizar o cartão do Bolsa Família com chip, o cartão de débito da Caixa ou informar o CPF do responsável familiar na maquininha “Azulzinha”.
Combate à pobreza energética
Sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o programa busca reduzir o impacto do preço do gás liquefeito de petróleo (GLP) no orçamento das famílias de baixa renda.
A proposta é ampliar o acesso à energia limpa e segura, diminuindo o uso de alternativas como lenha, carvão e querosene, que oferecem riscos à saúde, especialmente para mulheres e crianças. A previsão é que, em março, 15,5 milhões de famílias sejam contempladas.
A política também criou o Programa Nacional de Acesso ao Cozimento Limpo, que estrutura ações de enfrentamento à pobreza energética, com mecanismos de monitoramento, governança permanente e publicação periódica de relatórios.