O fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e Índia ganhou novo impulso durante o Fórum Empresarial realizado em Nova Déli, onde autoridades e empresários discutiram estratégias para aproximar mercados considerados entre os mais promissores do mundo em desenvolvimento. O encontro destacou oportunidades que vão desde exportações agrícolas até cooperação tecnológica e energética.
Representando a ApexBrasil, o gerente Laudemir André Müller ressaltou que o crescimento econômico indiano cria demanda crescente por alimentos. Segundo ele, cerca de 300 milhões de pessoas deixaram a pobreza recentemente no país asiático, o que amplia a necessidade de importação de produtos alimentícios — cenário visto como oportunidade estratégica para o agronegócio brasileiro.
O presidente da agência, Jorge Viana, destacou que o fórum foi o maior da missão internacional atual e revelou anúncios de aproximadamente R$ 10 bilhões em investimentos de empresas indianas no Brasil, além de negociações envolvendo companhias como a Embraer.
Para Ritesh Sharma, diretor da Nanoventions Brasil, a cooperação é estratégica para ambos os lados. Ele afirmou que já está em andamento a construção de uma fábrica no Paraná com intercâmbio de tecnologias entre os dois países, iniciativa vista como exemplo concreto de integração industrial.
Exportações agrícolas em foco
Entre os produtos com maior potencial de expansão está o feijão. O presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses, Marcelo Lüders, explicou que dois tipos do grão concentram negociações com o mercado indiano: o mungo-preto, que já possui acordo fitossanitário, e o guandu, que aguarda liberação. Caso os acordos avancem, o Brasil pode dobrar as exportações para a Índia. Em 2025, o país embarcou cerca de 300 mil toneladas, movimentando aproximadamente US$ 250 milhões.
Apesar do potencial, a diferença comercial ainda é significativa quando comparada à relação brasileira com a China. Em 2025, o comércio bilateral Brasil-Índia somou US$ 15,2 bilhões — valor US$ 156 bilhões menor que o volume negociado com os chineses.
O presidente da Fieg, André Rocha, avaliou que há amplo espaço para expansão. Segundo ele, setores como economia digital, segurança alimentar, biocombustíveis, mineração, saúde e farmacêutico apresentam grande potencial de cooperação.
Aviação verde entra na pauta
Outro tema relevante foi o desenvolvimento do Combustível Sustentável de Aviação (SAF). O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou que aeronaves da empresa já operam com até 50% de mistura do combustível e que a meta é certificar modelos para utilização integral até 2030.
Já o presidente da Unica, Evandro Gussi, destacou o papel do etanol nesse processo. Segundo ele, mais de 70% dos voos mundiais são de longa distância e dependem de alternativas sustentáveis, o que exigirá bilhões de litros de SAF nas próximas décadas.
O fórum consolidou a avaliação entre participantes de que a complementariedade entre as economias brasileira e indiana pode acelerar investimentos, comércio e inovação, reduzindo gradualmente a distância que ainda separa os dois países no cenário global de parcerias estratégicas.