Faltando apenas cinco dias para o início da nova rodada de tarifas comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos, o Brasil segue fora da lista de países que conseguiram acordos com a Casa Branca e está cada vez mais próximo de sofrer os impactos do chamado “tarifaço”.
Neste domingo (27), o presidente norte-americano Donald Trump anunciou um acordo com a União Europeia após reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Edimburgo, na Escócia. O bloco europeu concordou em comprar US$ 750 bilhões em energia dos EUA e investir outros US$ 600 bilhões no território americano, em um esforço para reequilibrar a balança comercial e evitar as penalidades tarifárias.
A União Europeia se junta a Japão e China, que também fecharam negociações nas últimas semanas para escapar das sanções. O Brasil, no entanto, segue de fora das conversas e já é apontado como o país mais atingido pelas novas medidas: Trump anunciou que os produtos brasileiros receberão uma tarifa adicional de 50% a partir do dia 1º de agosto.
Segundo o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, não haverá prorrogação. “Sem prorrogações, sem mais períodos de carência — em 1º de agosto, as tarifas serão aplicadas e a alfândega começará a cobrar”, declarou.
A situação se agrava pelo fato de os EUA terem iniciado uma investigação formal contra o Brasil, sob alegação de práticas comerciais desleais. O foco da análise inclui disputas recentes envolvendo plataformas digitais.
Apesar de o Brasil registrar déficit comercial com os EUA há mais de uma década — ou seja, compra mais do que vende —, a barreira parece ser mais política do que econômica. Trump tem dado declarações em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e tem evitado abertura para diálogo com o governo brasileiro.
Com o prazo final se aproximando, cresce a preocupação com os impactos para as exportações brasileiras e, principalmente, para os produtores rurais do país, que já enfrentam dificuldades com o escoamento da produção. A ausência de um acordo pode representar prejuízos bilionários para o agronegócio nacional e para a economia em geral.