Um clima de indignação tomou conta de comerciantes que ocupam o terreno do antigo CEASA após receberem, de forma inesperada, notificações determinando a retirada do local até a próxima segunda-feira (23). Segundo relatos, os avisos foram entregues apenas na quinta-feira (19), sem qualquer comunicado prévio, deixando trabalhadores atônitos e sem saber para onde levar mercadorias, estruturas e meios de sustento.
De acordo com os notificados, a ordem partiu da Secretaria Municipal dos Serviços Urbanos e estaria ligada ao início das obras de um complexo esportivo na área. O problema, segundo eles, não é a obra em si, mas a forma como a medida foi conduzida. “Fomos pegos totalmente de surpresa. Não houve reunião, aviso antecipado nem alternativa apresentada”, relatou um dos comerciantes afetados.
A notificação estabelece prazo curto e prevê penalidades em caso de descumprimento, o que aumentou a tensão entre os trabalhadores, que afirmam não ter condições logísticas de sair em tão pouco tempo. Muitos dependem exclusivamente do espaço para manter seus negócios e renda familiar.
A situação gerou questionamentos públicos sobre a condução da gestão municipal, principalmente quanto à falta de diálogo e planejamento social antes de medidas que impactam diretamente trabalhadores informais. Para os atingidos, a sensação é de abandono. “Não somos contra melhorias na cidade, mas somos pais e mães de família. Não podem simplesmente mandar a gente sair sem dar opção”, disse outro comerciante.
Enquanto o prazo final se aproxima, cresce a pressão popular por explicações oficiais e por uma solução que não deixe dezenas de trabalhadores desamparados. Até o momento, os comerciantes afirmam que aguardam posicionamento das autoridades, mas temem que o tempo curto seja insuficiente para qualquer negociação.