Ao concluir seu primeiro ano de mandato em 2025, o vereador Elenilton Cardoso, conhecido como Negão do Povo, consolidou uma política pública inédita em Estância ao colocar a mangaba no centro das ações legislativas do município. A iniciativa devolveu visibilidade a uma atividade tradicional que, apesar de sua relevância social e econômica, permaneceu por anos à margem das decisões do poder público.
Eleito nas eleições municipais de 2024 com cerca de mil votos, Elenilton apresentou quatro projetos de lei, todos aprovados por unanimidade pela Câmara Municipal e posteriormente sancionados pelo prefeito, transformando-se em leis em vigor. As medidas estruturam uma política pública integrada voltada à valorização da mangaba e de toda a sua cadeia produtiva.
Atualmente, mais de 300 famílias vivem diretamente do extrativismo da mangaba em Estância, o que representa mais de mil pessoas impactadas pela atividade. Mesmo com esse peso social e econômico, o setor carecia de reconhecimento institucional e de ações permanentes do poder público.
Com as propostas apresentadas pelo parlamentar, a mangaba passou a ser reconhecida como identidade cultural, fonte de renda e instrumento de política pública. As leis municipais estabelecem a mangabeira como árvore símbolo do município, garantem a inclusão da mangaba na merenda escolar, reconhecem oficialmente as catadoras de mangaba como grupo de interesse público e declaram o fruto como Patrimônio Cultural Imaterial de Estância.
Filho de catadora de mangaba, Elenilton Cardoso afirma que sua atuação legislativa é marcada pela vivência pessoal e pelo conhecimento direto da realidade enfrentada pelas famílias que dependem do fruto. Além das ações no âmbito municipal, o vereador também dialogou com o então secretário de Estado da Casa Civil, Jorginho Araújo, iniciando tratativas para ampliar o apoio do Governo de Sergipe às políticas públicas voltadas às catadoras.
As iniciativas reforçam a importância de políticas públicas que valorizem saberes tradicionais e promovam inclusão social. Quando o poder público passa a olhar para quem sempre viveu da mangaba, a tradição deixa de ser invisível e passa a ocupar lugar de prioridade nas decisões institucionais do município.