Durante os 40 dias que antecedem a Páscoa, período conhecido como Quaresma, milhões de fiéis ao redor do mundo adotam práticas de penitência, jejum e oração. Entre as tradições mais conhecidas está a abstinência de carne em datas específicas, regra que costuma gerar dúvidas sobre o que realmente é proibido e o que está liberado.
Ao contrário do que muitos imaginam, a proibição não está descrita literalmente na Bíblia. A prática foi estabelecida como disciplina religiosa ao longo da tradição cristã, inspirada no jejum de Jesus Cristo no deserto e reforçada como gesto simbólico de sacrifício e reflexão espiritual.
Segundo o Código de Direito Canônico, os católicos devem se abster de carne na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Além disso, todas as sextas-feiras da Quaresma são tradicionalmente consideradas dias de abstinência.
A orientação inclui carnes de animais de sangue quente, o que abrange carne bovina, suína, frango, cordeiro e qualquer tipo de carne de mamíferos ou aves. Em contrapartida, peixes e frutos do mar estão liberados, motivo pelo qual pratos à base de pescado se tornaram símbolo tradicional das sextas-feiras desse período.
A Igreja ressalta, porém, que a prática alimentar não é o foco principal da Quaresma. O objetivo central é a conversão interior e o fortalecimento espiritual. Por isso, fiéis que não conseguem cumprir a abstinência podem substituí-la por outros gestos de penitência, como ações de caridade, oração intensificada ou atitudes solidárias.
As orientações foram reunidas em publicação divulgada pelo Portal 6, que destacou que a disciplina quaresmal é menos uma regra rígida e mais um convite à reflexão, renúncia e transformação pessoal.