O Brasil confirmou sua permanência em um dos patamares mais baixos da ética pública mundial. Segundo o novo Índice de Percepção da Corrupção (IPC), divulgado nesta terça-feira (10) pela ONG Transparência Internacional, o país manteve sua pior colocação histórica, ocupando a 107ª posição entre 182 nações avaliadas.
Com apenas 35 pontos em uma escala que vai de 0 a 100, o desempenho brasileiro é considerado alarmante, ficando abaixo da média global e da média das Américas, ambas em 42 pontos. O cenário coloca o Brasil ao lado de países como Sri Lanka e Argentina, mostrando uma estagnação preocupante no combate à corrupção.
Avanço do crime no Estado e “captura orçamentária”
O relatório Retrospectiva 2025, divulgado junto ao índice, traz revelações sobre a infiltração do crime organizado em setores estratégicos do Estado. Entre os destaques estão:
Esquemas no INSS e Banco Master: falhas estruturais graves no sistema financeiro e na advocacia foram apontadas;
Conexões no Judiciário: suspeitas envolvendo contratos de alto valor do Banco Master com escritórios ligados a autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF);
A farra das emendas: o volume de emendas parlamentares chegou a R$ 60 bilhões no orçamento de 2026, um fenômeno classificado como “captura orçamentária”, que transfere o controle técnico dos recursos para o Legislativo, agora ampliado a estados e municípios.
Pontos de luz em meio ao caos
Apesar do diagnóstico severo, a ONG destacou avanços pontuais que impediram uma queda ainda maior. A atuação da Receita Federal e do Ministério Público em operações de inteligência financeira, como a Operação Carbono Oculto, foi citada como positiva.
Além disso, a rejeição da chamada PEC da Blindagem no Senado e o controle ampliado sobre as emendas foram vistos como sinais de resistência institucional.
O que precisa mudar
Para sair da rabeira do ranking, liderado por países como Dinamarca, Finlândia e Cingapura, a Transparência Internacional recomenda medidas drásticas:
Criação de código de conduta rigoroso para o Judiciário;
Fortalecimento dos mecanismos de integridade em todos os Três Poderes;
Combate direto à infiltração do crime organizado na política e na economia.
Desde 2015, o Brasil não demonstra reação consistente, permanecendo em um estado de paralisia ética que compromete o desenvolvimento econômico e a confiança internacional.