Com o início do recesso do Judiciário, que começa em 20 de dezembro e segue até 6 de janeiro, cresce o alerta para o aumento de golpes aplicados por criminosos que se passam por advogados. A prática, conhecida como “golpe do falso advogado”, costuma se intensificar nesse período em razão da suspensão de prazos processuais e da redução das atividades em escritórios de advocacia.
Segundo a OAB Subseção Criciúma, os golpistas utilizam principalmente aplicativos de mensagens e e-mails para entrar em contato com vítimas, simulando situações urgentes relacionadas a processos judiciais. Em muitos casos, os criminosos afirmam integrar o escritório do advogado da vítima ou até se passam pelo próprio profissional, enviando documentos falsificados do Poder Judiciário e, em algumas situações, simulando audiências virtuais.
Com base nessa falsa identidade, os estelionatários solicitam transferências via Pix, alegando a necessidade imediata de pagamento para liberação de valores, custas processuais, indenizações ou regularização de pendências. Os recursos, porém, são direcionados para contas pessoais que não têm qualquer vínculo com o processo ou com a advocacia.
O presidente da OAB Subseção Criciúma, Moacyr Jardim de Menezes Neto, reforça que a população deve redobrar a atenção, especialmente durante o recesso. Ele destaca que nesse período apenas medidas urgentes são analisadas em regime de plantão e que nenhum advogado solicita pagamentos emergenciais para andamento processual.
A entidade também lembra que os prazos processuais ficam suspensos até o dia 20 de janeiro, o que reduz ainda mais a possibilidade de cobranças legítimas nesse intervalo.
Como evitar cair no golpe
Entre as principais orientações estão não repassar dados pessoais a desconhecidos, desconfiar de mensagens que impõem urgência ou pressão e nunca realizar transferências para contas de pessoas físicas. A OAB recomenda ainda confirmar diretamente com o advogado qualquer solicitação financeira e verificar a identidade do profissional por meio do site confirmadv.oab.org.br.
Outro ponto de atenção é o uso de recursos de inteligência artificial, que podem ser empregados para simular vozes e imagens em áudios e vídeos falsos, tornando o golpe ainda mais convincente.
O que fazer se for vítima
Caso o golpe já tenha sido consumado, a orientação é salvar conversas e comprovantes, comunicar imediatamente o advogado, avisar o banco para tentar bloquear a transação e registrar um boletim de ocorrência. Também é recomendado encaminhar uma cópia do registro à OAB e, se necessário, formalizar reclamação junto ao Banco Central.
A OAB reforça que servidores do Judiciário não entram em contato para solicitar pagamentos e que qualquer abordagem desse tipo deve ser tratada com desconfiança.