A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS anunciou, nesta segunda-feira (1º), que solicitará a prisão preventiva de dez investigados por participação em um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União), afirmou que os pedidos serão protocolados ainda nesta semana.
Segundo as investigações, o esquema operou entre 2019 e 2024, cobrando mensalidades sem autorização e movimentando cerca de R$ 6,3 bilhões, com impacto em aproximadamente 9 milhões de beneficiários, incluindo indígenas, quilombolas e ribeirinhos.
Os pedidos de prisão envolvem nomes ligados a associações, sindicatos e até ex-dirigentes do próprio INSS: Maurício Camisotti, empresário; Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS; Antonio Luis; Fernando de Araújo; Márcio Alaor; André Paulo Félix Fidelis, ex-diretor de benefícios; Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS; Eric Douglas Martins Fidelis, advogado; e Ramon Rodrigues Novais, ligado ao grupo Total Health (THG).
As denúncias ganharam força com o depoimento do advogado Eli Cohen, considerado peça-chave na investigação. Ele entregou documentos e registros que apontam o uso indevido de dados de segurados. “Não há possibilidade de esse modelo existir sem roubar”, declarou durante a sessão.
A CPMI também planeja ouvir ex-ministros da Previdência, como Eduardo Gabas, José Carlos Oliveira e Carlos Lupi, além de ex-presidentes do INSS. Documentos da Polícia Federal, CGU e Dataprev também serão requisitados para rastrear o destino dos recursos desviados.
O plano de trabalho da comissão prevê seis eixos de investigação e tem prazo inicial de 180 dias, com conclusão marcada para março de 2026. O governo já destinou R$ 3,3 bilhões por meio de Medida Provisória para iniciar o ressarcimento das vítimas.